Novembro 17, 2009

De ontem para hoje

Se, perder-se também é caminho, vou seguir. Já não compreendo tantas coisas, agora, parece que desaprendi as poucas que sabia. E vou desabafar...
Estou enojada das pessoas. É, nojo. Da indiferença, do orgulho próprio, da facilidade com a qual desmoronam e pisam em outras, como se fossem paralelepípedos. Cansei! Cansei de sonhar com o amanhã - que nunca chega - e com o amor reluzido em perfeição que irá me tirar da martirizada incerteza.
Não entendo por que reencontro pessoas que há mais de meses, sequer, ouvia falar. Não gosto de rever quem passou e ser cegada pela luz no sorriso, que não sou mais eu quem causa. É tão estranho abraçar um tronco que já esteve ao meu lado dormindo e acordando e vidrar em olhos que, o meu vestido branco, já apreciaram. Definitivamente, não gosto de reencontros. Me sinto frustrada, pra baixo. Me sinto usada, como um passado que foi bom ter vivido, mas já não faz mais sentido, porque, afinal, não faz parte do agora.
A cada dia me sinto mais perdida, sem esperanças. Hoje senti uma tranquilidade de cinco minutos; por cinco minutos eu pensei que não quero mais planejar nada. Porém, não quero deixar meus planos de lado e, tampouco, meus sonhos. Cada vez que vejo pessoas instáveis, as quais nunca sei se um "oi" pode lhes derrubar um membro do corpo, tenho vontade de vomitar. Me cumprimenta sempre ou nunca me vê. Essa coisa de cumprimentar quando tem vontade não é comigo. Dizem que isso é só aqui na cidade, não duvido.
Outra coisa, agora me encontro atolada em trabalhos e pendências que deixei de lado pra tentar crescer em outro aspecto. Não consigo me organizar, não consigo ser quem eu gostaria e, simplesmente, não aceito isso. Não aceito! Uns exigem tanto, outros não acreditam, poucos são os que sentam, conversam e tentam entende. Eu sou uma só! E sou madura, mas ainda tenho meus poucos 19 anos. Não quero deixar de lado minhas manhas e mimos da juventude, durante os 365 dias. Quero meus direitos, só às vezes. Custa? Não acho que seja um preço muito alto.
Sou mãe de todos os filhos que adotei, sou a estagiária que está construindo a profissional que sonha em ser. Cansei de intrometidos e incompetentes que se juram os primeiros. Se tempo fosse algo muito importante não haveria casamentos de 25 anos destruídos, novamente, pelos mesmos motivos, ressuscitados após os 15 de término. Algumas pessoas, apenas, não crescem. Pobre destes que vão ficar no tempo, pois a mudança é a única certeza da vida.

Novembro 03, 2009

Por onde (não) andei?


Não, não vem Nando Reis por aqui e, realmente, a letra não é bem assim. Mas, a pergunta fica. Retórica, mas perdura. Em dias de sol, andei. Em noites de lua cheia, andei. Na chuva, pulei. Perto do amor, estive. Com o amor, convivi. Gritando, andei. Em silêncio, dormi. Gargalhando, corri. Discursando, cresci. E andei. Andei por entre labirintos, comprei máscaras novas, joguei-as fora. Perdi o controle, encontrei novamente. Perdi, ganhei, sentei, chorei, ri, não entendi, compreendi, fingi que não vi, fiz-de-conta que não era comigo, parei de pensar, cansei de sentir. E agora, continuo andando. Pra frente.

Julho 20, 2009

que assim seja

que enfeites, com teu sorriso, o meu mundo
que tragas, nos teus olhos, brilho para iluminá-lo
que, quando eu quiser destruir o todo, tenhas força para segurar-me
que transbordes carinho enquanto, em teu colo, eu deitar
que tires de mim o que eu guardo em segredo, só para me arrancar risadas
que existas, não apenas em minha visão
que chegues com um abraço guardado no bolso
e que permaneças, não somente em minhas noites
não me queiras pela metade,
que nunca saberás qual de mim quiseste.

Junho 25, 2009

e você, quem é?

pensando, assim, friamente nem sei mais o que é ter saudades. mesmo. meu humor está como uma montanha-russa. às vezes a sinto, mas no tempo eu a deixo. não vale. ah, não vale mesmo! pequenos prazeres como vê-lo irritado, estagnado, triste tomam conta de mim. humor negro? é, talvez. porém, sinceramente, não tenho pensado nele. ele não é mais ele. ele é outro. outro que me proporcionou algumas risadas, muitas inconformidades. hoje, penso em quem ele foi. ah, como queria ter vivido a fase de quem ele era! tão diferente, com um sorriso tão puro. mas, não. depois do primeiro mês já o conheci pelo avesso. com os olhos vingativos e o sorriso, antes puro, então, irônico. sádico. não o quis tantas vezes... logo, o quis em excesso. fiquei viciada naquela droga. naquele. o problema é que ele também viveu minha fase difícil, vingativa e sádica. éramos dois monstros com entendimento carnal. os diálogos eram interessantes; era um bom ouvinte e, sempre, com algo a acrescentar. parecia entender. eu que não tinha muita vontade de sabê-lo. deveria ser o contrário, não? pois, é. acabou. acabou em desprezo. voltou com briga. acabou com beijo. acabou em humilhação. e, felizmente, acabou. hoje eu sei. me sinto preparada pra pensar nisso, nele, em nós. em lembrar. dele não sinto ódio - embora vê-lo tomar alguns tombos me deixe satisfeita, não sinto ódio. sinto só, piedade. que pareça clichê, mas como não sentir dó de alguém tão perdido? e que, ainda, julga-se tão sábio. é. pronunciar seu nome não me faz mal, mas preservar-lhe a identidade é o que melhor posso fazer. não há orgulho nenhum em dizê-lo, em mim. fomos duas crianças agindo como adultos. brinquei de não amá-lo, ele brincou de me amar. eu brinquei no início, ele brincou no final. estou tão pronta, tão curada, tão... bem. felicidade, que bom ter voltado!

Junho 19, 2009

Que país é esse?


E então eles conseguem: desvalorizam nosso diploma. E tiram da sociedade o direito de saber, de adquirir informação estruturada, qualitativa, verídica. Não levam a sério compromisso, comportamento, educação, vocabulário, conhecimento prático e teórico. Educação. Roubam-nos dignidade. Menosprezam as vozes, os mestres, as presenças, os interessados, o futuro. Provam - mais uma vez - que sob os ternos limpos e caros não há nada, senão egocentrismo. E que o nó de suas gravatas também está na cabeça. Não crêem no país que movimentam. Querem o desequilíbrio.
Não existem palavras suficientes para expôr tamanha indignação. Não somos cozinheiros, somos Jornalistas! Agora é não esperar. Não fiquemos surpresos se após a aposentadoria de William Bonner e Fátima Bernardes, o Jornal Nacional for conduzido por ex-big brothers. É, isso é Brasil.

Junho 18, 2009

Hm?

Estou tentando escrever o texto para minha matéria e não há jeito de conseguir. Alguns dias são assim, mesmo. Já em outros, sou capaz de fazer umas três matérias e trazer os textos prontos, assim, no dia. Mas, bem, enquanto não flui a inspiração lá, quem sabe aqui?


Pois que pareça repetitivo, mas minha cabeça está um labirinto. Acho que sempre fui assim... Que a Renata sóbria de dúvidas não passava de mera ilusão; daquelas, momentâneas. Agora a pulga que ficava atrás da orelha se mudou, e faz seu carnaval em meu cérebro. E pula tanto que até meu coração passou a interagir. E este, coitado... Não sabe de mais nada – nem menos. Está neutro, só no ritmo. Resolvi que ia dar um espaço para ele respirar - e é o que estou fazendo. Mas ele é, como eu posso dizer?, teimoso. É, teimoso! Agita-se para os primeiros olhos que os meus olham fundo. Mas, logo já perde a emoção. Pois é, ele também é instável. Já demorou tanto para parar o agito e tão pouco para esquecer o porquê de qualquer alarde. Meu coração, às vezes, parece que raciocina. Noutras, parece nem pensar. E eu, onde parei? Ah... Eu ainda não parei. E parece que vou continuar divagando, até encontrar chão compatível aos meus pés. Não, isso não me é problema. Problema seria perder-me durante o percurso do reencontro e crer que os outros guiaram errado. A culpa não é dos outros. A “culpa” – se é que devo chamar assim – é interna, porque a escolha também a é.

Junho 14, 2009

www.vaiserfeliz.final

há algumas noites, antes de dormir, suplicava não estar apaixonada. obcecada. triste. agradecia ao universo por estar longe daquela dor e tão perto de não lembrar. e não fazem muitas tardes, eu recebia o presente que precisava: o tombo. foi quando acordei. foi quando voltei a ser e agir "como sempre". levantei devagar, tentando organizar os pensamentos, assimilar cada passo dado antes de tal queda. e aí, aconteceu: reergui a mente. não caminhei, corri. corri contra o vento, fazendo-o ficar a meu favor. corri com ira nos olhos e velocidade na força. alcancei o ponto de chegada. cumpri a missão que me fora dada. de repente, passei a enxergar o sol como apenas mais uma estrela. e me dei conta que minhas súplicas foram atendidas - mais rápido do que esperava. minha sombra se esforçava para me alcançar, meus passos flutuavam sedentos por liberdade. eu abandonei aquele lugar. eu abandonei aquele eu. eu abandonei quem eu esperava me abandonar. então, joguei no fogo aquele livro de tão poucas páginas, tão pequeno e, praticamente, vazio. e como um grito no ar, eu voltei para mim.

Abril 27, 2009

Café com açúcar


Hoje, no caminho para casa, ouvi uma velha conhecida na rádio. A música. Aquela. A que cujo par martelava na minha cabeça, fazia barulho no telefone e batucada no meu peito. Hoje ela não teve par. Estava sozinha. Em mim, no pensamento e no coração. Meus tímpanos a absorveram pura, límpida, heterogênea. Eu sabia que agora ela era apenas mais uma, apenas a próxima, a que recém tocou, a que ouço no agora. Sem ser especial. Sem ter significados. E depois de tanto tempo, me senti livre. Livre de não associá-la a mais nada. A ninguém. Mas, também senti um vazio. Uma "coisa" oca por dentro. Senti não sentir. Uma liberdade mais parecida com solidão. A música não tinha mais par, assim como eu. Éramos nós duas. Ambas cantando no ritmo; eu sabendo mais sobre ela do que ela de nós - antigamente parecia nos conhecer tão bem. Porém, não havia mais nós. Havia eu. E a cidade. E as pessoas. E as gargalhadas. E os planos. E os sonhos. E... é, reticências. Tanto destratei aquele par que ele abandonou a música. Injustiça? Não, ele fez o certo e eu achei que sabia o que fazia. Ainda era meu, de alguma forma. Ainda era dele, mas só eu sabia. Hoje descobri o que é esquecer. Descobri que esqueci. Que guardei tão abaixo de meus pés aquele sorriso, até que ele cavou uma passagem e encontrou seu novo repertório. Pode não ser o preferido ou o melhor que ja compôs, mas este ele sabe que não vai parar de tocar de repente, como o meu costumava fazer. E eu? Bem, eu continuo vivendo as ironias que derrapam no meu caminho, ouvindo as músicas que as estradas me oferecem, sem impôr poesia alguma a quem quer que seja. Não sei se aprendi algo. Encontrei tantos devaneios enquanto ele trilhava sua sorte sob meu reino de ilusões, que agora, só me resta trocar de pista. Não quero lembrar. Não quero esquecer. Quero não pensar. Um dia a música encontrará seu par, mas eu não a ouvirei. Não mais. Continuo tão conservadora e romântica quanto antes, só que, mais esperta e menos egoísta.

Março 15, 2009

Era


“...Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria à minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.”

(Martha Medeiros)